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Dormindo com o/a inimigo/a: a vampirização

Postado em 03.10.2016  

 

Disponível em: lamenteesmaravillosa.com

Cotidianamente escutamos histórias de pessoas que sofrem em um relacionamento amoroso  por   não receberem afetivamente o que necessitam para sentirem-se amadas e nutridas emocionalmente. Entretanto, mesmo tendo consciência destas carências, estas pessoas não conseguem romper esta ligação de subordinação e passam a investir ainda mais no/a parceiro/a, acreditando que dando mais possam modificar ao outro, sem perceberem que nestes relacionamentos ocorre um processo de vampirização.

É difícil e doloroso o processo de dar-se conta da alienação vivida em uma relação amorosa onde um dos cônjuges sofreu este processo porque para o/a vampiro/a,  o/a parceira/o  não existe como pessoa, apenas como uma posse, algo para ser possuído. Saliento que esta psicopatia  não está vinculada a sexualidade da pessoa, existem vampiros em todos os gêneros: homens, mulheres e LGBTs.

Inúmeras vezes, quem sofre o processo de vampirização segue investindo na tentativa de ser compreendido/a e insiste em ter mais uma “conversa esclarecedora”, sem perceber que isto não alterará o rumo do caso. A vítima não compreende que não existe uma relacionamento, o que está estabelecido neste modelo é uma apropriação , por isto, não existem trocas. Uma relação é uma via de duplo sentido, existe vínculo, correspondência; a apropriação que ocorre na vampirização é de mão única, pois o/a vampiro/a só recebe e nada retribuí pois jamais percebe as necessidades emocionais do/a outro/a.

Os /as vampiros/as se alimentam da energia que vem de quem seduzem, pois precisam preencher o vazio psíquico que sentem, que origina-se em razões ligadas a sua história nas primeiras fases da vida.
Enfrentar este vazio gera sofrimento, faz com que tenhamos que assumir nossa incompletude, quebra nossa onipotência narcísica. Pessoas que enfrentam este vazio possuem dentro de si capacidades como o acolhimento e a empatia. Já os sociopatas não defrontam-se com seu vazio por não possuírem estas capacidades, por isso, necessitam vampirizar: para preencher-se.

A inveja normal que todos sentimos faz com que admiremos as pessoas que tem algo que queremos e isto nos move a evoluir para ter o que invejamos. Porém os sociopatas invejam de forma patológica, sobretudo a vida que vêem em quem elejem para vampirizar. Aproximam-se e seduzem esta pessoa para sugar e possuir o que ela tem e jamais se preocupam com o sofrimento que geram, pois não possuem culpa e habitualmente argumentam com exímia convicção que são vítimas, revertendo o quadro e produzindo culpa em quem vampirizam.

Quando invejam a vida social, vampiros/as seduzem alguém que consiga os introduzir em um meio social invejado, como o meio intelectual, artístico ou de alguma camada que considerem como sendo a alta sociedade.Também podem invejar a alegria, dons musicais ou literários, sensibilidade, capacidade de comunicação, empatia, solidariedade, capacidade cognitiva, etc. A pessoa eleita acaba facilitando o acesso do/a vampiro/a ao atributo invejado, que incorpora-os. As coisas acontecem de tal modo que a vítima vai se enfraquecendo, tendo sua auto estima destruída, de tal modo que todas as suas qualidades passam a ser percebidas como pertencentes ao vampiro/a.

Para escaparem da dor psíquica, os/as vampiros/as defenderem-se usando o mecanismo de defesa da projeção, jogando seus erros na pessoa que capturam e inocentam-se; jamais são culpados, creditando todos os seus insucessos e as suas dificuldades ao cônjuge. Também defendem-se com uma negação da realidade. Negam permanentemente seu funcionamento, mesmo quando a realidade prova o contrário, pois desta forma, o sofrimento é excluído.

Sendo incapazes de amar, destroem a pessoa eleita, sentindo-se assim superiores; sentem-se felizes com o sofrimento e a destruição moral, financeira ou emocional do outro, pois para afirmar-se, precisam destruir. Quando a vítima reage e tenta opor-se, a maldade que até então estava disfarçada, dá lugar a uma hostilidade declarada, iniciando-se a fase de destruição moral, também chamada de psicoterror.
Nesta fase, todos os meios são utilizados pelo/a vampiro/a para destruir a pessoa que elegeram, inclusive a violência física, objetivando levar esta a um aniquilamento psíquico ou ao suicídio.

Agredir aos outros é a maneira do/a vampiro/a  evitar a dor e a depressão, por isso, constantemente provocam ao outro para a manter a ausência da paz.  Que a dor e a depressão sejam suportadas pela pessoa que elegeram para vampirizar!

Tentar convencer um/a vampiro/a que cometeu um erro é insistir na relação patológica, pois este/a negará que errou até a morte. Jamais espere mudar ou receber algo dele/a, acredite, ele/a não tem nada para dar pois, como diz Zé Ramalho em “A sagrada escritura dos violeiros”:

” Quem tem o mel, dá o mel.
Quem tem o fel, dá o fel.
Quem nada tem, nada dá”

Evasão das adolescentes grávidas: corpos que somem do espaço escolar

Postado em 06.08.2016  
Disponível em: http://osepeense.com/wp-content/uploads/2015/05/jovem-gravida.jpg

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No Brasil, o Ministério da Saúde considera a gravidez na adolescência como um problema de saúde pública.
Desde 2004 venho pesquisando sobre a gravidez na adolescência e a educação sexual nas escolas e em 2013 iniciei a pesquisa intitulada “Geografias de exclusão adolescentes grávidas nas escolas do sul do Brasil: corpos abjetos” na Universidade Feevale/RS, com fomento do CNPq. Essa pesquisa teve por objetivo caracterizar práticas relativas à educação sexual e descrever o tratamento dado às adolescentes grávidas nas instituições de ensino público estadual na cidade de Novo Hamburgo/RS, bem como analisar a evasão dessas alunas no período de 2013 a 2016, com a intenção de examinar os processos de educação sexual nas escolas.

Os resultados da pesquisa apontam para a ausência de um controle por parte das escolas das alunas que engravidaram e evadiram, sendo que das 91 alunas que foram registradas, somente 9 continuaram os estudos depois da gravidez.

Percebe-se também uma certa banalização sobre o abandono escolar de uma aluna grávida. Já era esperado que o fato ocorresse, como afirma uma das entrevistadas quando diz que “no ano retrasado, nós tivemos uma menina do sexto ano, recém tinha completado 13 anos, ela engravidou, teve o bebê, deixou de vir para a escola e agora a gente ficou sabendo que ela já está na segunda gravidez esse ano”. Outra diz: “o que a gente vê aqui na escola é que as meninas abandonam tudo, abandonam estudo, elas têm que se dedicar à criança, inclusive a gente já recebeu alunos de meninas que foram gestantes na adolescência, e geralmente são alunos com muitos problemas a serem resolvidos, então eu vejo como algo que não é bom”. Ou seja, o estigma existente sobre a mãe adolescente como sendo alguém com problemas se estende sobre sua prole, pois seus filhos/as são vistos/as na escola como tendo “problemas”.

Outro dado relevante da pesquisa é o entendimento que  a educação sexual deve ser e é mais dirigida às alunas que aos alunos. Entre as justificativas apresentadas, está o fato de considerarem que as alunas amadurecem mais cedo e que devem saber mais sobre sexualidade pois são elas que engravidam. Além disso, são elas que acabam arcando com as consequências da gravidez, como se pode observar em um relato: “é muito complicado para as alunas, porque praticamente interrompe todo um processo natural das coisas, daí com criança vai ter que cuidar, vai ter que trabalhar muitas vezes para poder alimentar, porque muitas vezes só Deus nem sabe quem é o pai, ou o pai só faz o filho e depois desaparece e quem assume na verdade é a mulher e isso modifica totalmente a vida da adolescente”. Por esse motivo, os/as docentes entendem que as alunas precisam ter mais conhecimento sobre a prevenção da gravidez, reforçando e perpetuando a suposição de que os cuidados acerca desta e dos filhos são responsabilidades do sexo feminino. Isso aponta para a problemática da gravidez na adolescência: uma importante questão de gênero.

Evidentemente, não podemos negar que a forma como os adolescentes estabelecem os vínculos ainda está impregnada de estereótipos e mitos que colocam as fêmeas em uma situação de desvantagem e de maior vulnerabilidade. Os adolescentes que engravidam uma aluna são desresponsabilizados e não raras vezes aplaudidos pela masculinidade apresentada. Contatou-se também que a idade das alunas geralmente é inferior a idade dos jovens com quem relacionam-se sexualmente, o que nos faz pensar no descompromisso e irresponsabilidade destes  ao praticar uma relação sexual desprotegida, sem pesar as possibilidades das consequências, como  a transmissão de DSTs ou gravidez.

A adolescente que, por diversas razões, continua com a gravidez não está precisamente o mais próximo do ideal de feminilidade que foi construído para essa etapa da vida, inclusive nem sequer nos casos de uma gravidez adolescente planejada e desejada. A adolescente grávida, de maneira geral, começa a confrontar as expectativas em torno do seu gênero para essa fase da vida e a vivenciar situações de evidente exclusão e afastamento da escola, sendo que são sutilmente “convidadas” a permanecerem em casa para ficarem mais “protegidas” ou simplesmente somem do espaço escolar.

Constatamos que a maioria das adolescentes grávidas que evadem não são objeto de investimento por parte das escolas ou de cuidados por parte do Conselho Tutelar, na tentativa de que regressem ao convívio escolar. Ao contrário, o abandono é dado como normal e não existe uma preocupação com esse fato, tanto que na maioria das escolas pesquisadas não há sequer um controle dessas ocorrências, o que denota o descaso. Quando há um controle e é feito o encaminhamento do abandono escolar da adolescente grávida ao Conselho Tutelar, por meio do preenchimento e encaminhamento da Ficha de Comunicação de Aluno Infrequente (Ficai), as escolas revelaram que não recebem retorno desse órgão. Em raras ocasiões, há uma visita de algum conselheiro tutelar na escola ou na casa da aluna que evadiu.

Infelizmente, estas alunas que evadem por conta da gravidez, raramente retornam `a escola e acabam tornando-se mulheres  que, por conta da baixa escolaridade,  trabalham em sub empregos e contribuem para o aumento dos índices da feminização da pobreza. A pobreza é feminina e a gravidez na adolescência é um dos seus nascedouros, pois na maioria dos casos acaba interrompendo o ciclo de formação e desenvolvimento educacional destas mães menininhas.

Na matéria abaixo, o Jornal NH em 05/08/2016 apresenta a pesquisa que desenvolvo e alguns dos seus resultados, convido `a leitura.

Quando a maternidade vem cedo demais

Enredamento, sedução e manipulação: a violência perversa contra mulheres

Postado em 06.07.2016  

É possível começar a destruir alguém apenas com palavras, frieza emocional, insinuações: isto chama-se violência perversa. Em suas teias, os perversos enredam as mulheres eleitas para serem suas vítimas…

 

               Disponível em http://3.bp.blogspot.com/_921nhmHEG1s/TEWtSyWQ2GI/AAAAAAAAA9c/38ILTiIaPIE/s1600/Mulher+na+teia.jpg

 

Este texto interessa a todos aqueles que não desejam ficar indiferentes ao problema da violência contra mulheres, que gera tantos sofrimentos nelas e em seus filhos e filhas.

Escutamos cotidianamente pontos de vistas equivocados, afirmando que a violência contra as mulheres começa com a permissão destas. Alguns afirmam que esta permissão ocorre no olhar, outros dizem que as vestimentas favorecem, uns acham que depende da reação das mulheres… Enfim, são tantos “achismos” e “teorias” que imutavelmente acabam culpabilizando as mulheres das violências que sofrem. Por isto, torna-se importante que possamos discutir este tema, pois no Brasil, estima-se que 5 mulheres são espancadas a cada 2 minutos, ocorre 1 estupro a cada 11 minutos, 1 feminicídio a cada 90 minutos e 179 denunciam casos de agressão a cada dia, segundo dados da Agência Patrícia Galvão. http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/dossie/sobre-as-violencias-contra-a-mulher/

As agressões físicas no casal não acontecem de repente, há uma escalada de comportamentos abusivos e de intimidação que iniciam-se antes de ocorrer a violência física, que é geralmente o último nível de violência. Mas, a pior delas é a menos visível, a psicológica, que não deixa marcas denunciáveis e é a mais utilizada pelos perversos. Se as mulheres deixam que isto ocorra com elas, é porque foram aprisionadas, colocadas sob influência. Este processo, segundo a francesa Hirigoyen, psiquiatra e vitimóloga, recebe o nome de ENREDAMENTO. (Hirigoyen, Marie-France. Assédio moral: a violência perversa no cotidiano. Ed Bertrand Brasil, 2012)

Muitas mulheres perguntam: por que aconteceu comigo? O que eu fiz para viver/merecer esta situação? É importante que entendamos que elas nada fizeram, são vítimas porque foram designadas para serem vítimas pelos perversos. Isto mesmo: os agressores de mulheres tem um perfil psicológico de perversão e/ou sociopatia.

Estes homens agressores invariavelmente são afetivamente frios e jamais sentem-se culpados, o que lhes permite terem uma excelente noite de sono depois de agredirem ou fazerem algo planejadamente destrutivo com a companheira. As mulheres eleitas para serem vítimas são escolhidas porque elas tem algo que eles querem ter, como status profissional, dinheiro ou características como a bondade, enfim, elas tem algo ou um atributo que eles não possuem e querem ter retirando dela, manipulando-a. O vazio interior de um perverso busca preencher-se com o que o outro tem, apropriando-se desta forma.

A manipulação faz parte da vida e ocorre diariamente com todos nós, o que faz a diferença na relação com um perverso é que há uma intencionalidade bem específica: a relação inicia com uma sedução perversa, com as ações planejadas por ele: verificará se a vítima está psicologicamente vulnerável, servindo aos seus propósitos; analisará os pontos fracos da vítima, para manipular com mais facilidade.

Nesta primeira fase, o perverso trata de seduzir a vítima, afastando-a da realidade, manipulando as aparências e demonstrando um interesse e uma afetividade falsos. Esta fase, também chamada de “descerebração”, pode desenrolar-se por muitos anos, ocorre progressivamente durante os primeiros tempos da relação por meio de um processo de pura sedução: ele será o maior incentivador dos projetos dela, o melhor pai ou cuidador para seus filhos, o companheiro mais atencioso do mundo… Sua fala histriônica o denuncia e geralmente alguém da família escuta a encenação no tom de voz e preocupa-se, mas o descerebramento faz com que a mulher não perceba ou não considere as observações que vem de fora da relação, pois já está presa pelo enredamento.

Nesta fase da sedução iniciam-se os ataques ao psiquismo da vítima, desestabilizando-a. Ela começa gradativamente a perder a confiança em si própria e a pensar que somente consegue fazer suas obrigações se receber a ajuda tão amável que vem dele, seu companheiro maravilhoso. No enredamento da vítima, o perverso narcisista não ataca de maneira frontal nas suas atuações, age sempre de forma indireta e começa a desestabilizar a vítima com estas ações sutis. Inicia a invasão do psiquismo da vítima, borrando as fronteiras entre o que é dela e o que é seu. Nas palavras de Hirigoyen: “O enredamento consiste em, sem argumentar, levar alguém a pensar, decidir ou conduzir-se de maneira diferente do que faria espontaneamente.”

Compreender o que ocorre e a influência e o controle que recebe faz a vítima se retirar da relação e em muitos casos, denunciar. Mas, como detectar os primeiros sinais de um abuso desta natureza? Mulheres em estado de subjugação psicológica: onde começa a influência normal e saudável, onde começa a manipulação?

Como se reconhece um manipulador? Muito difícil reconhecê-los prontamente, pois a sedução é seu modo de ser em todos os lugares onde atua. Via de regra, um manipulador é alguém que vai usar de um intenso processo de sedução para levar uma mulher a fazer algo que ela não faria por si mesma.

Para que fazer a vítima obedecer suas vontades, primeiro ele seduz, cola-se nela para se agarrar na sua vida. Em geral, inicialmente ele se coloca como vítima de algo/alguém ou desperta a compaixão da vítima de uma forma ou de outra. Então, quando se aproximou o suficiente de quem elegeu, empurra esta pessoa para longe para obter o que espera dela, pois neste momento o psiquismo dela já foi vampirizado e ela acredita que precisa dele para viver. A vítima passa a dar ao manipulador tudo que ele quer, para não perdê-lo, sem perceber o processo. Isto invariavelmente inclui exploração material.

Hirigoyen reitera: ” um manipulador pode manipular para obter dinheiro e, quando ele obteve o que ele quer, ele vai-se embora. Isso pode ser igualmente sobre o domínio emocional e ocorre muito frequentemente para obter poder, é um jogo de poder, de dominação e também uma forma de esmagar alguém, uma forma de tomar todo o lugar de alguém.”

Desta forma, os agressores perversos vão controlando e manipulando suas vítimas, vampirizando-as, retirando delas a auto estima, colocando-as numa espiral depressiva ou mesmo suicida. Muitas mulheres não sobrevivem depois de serem vítimas em uma relação com um perverso e se suicidam. Essas violências insidiosas decorrem de uma vontade que o perverso tem de se livrar-se de alguém sem sujar as mãos, porque o perverso avança mascarado, buscando com seus disfarces a compaixão de novas vítimas.

Comumente os perversos seguem perseguindo as vítimas, mesmo depois da separação. Os americanos chamam isto de de stalkin , ou seja, a perseguição permanente que consiste no fato dos perversos, ao não quererem largar sua presa, invadem permanentemente a vida das vítimas com suas presenças, mesmo que por meio do uso da internet. Neste caso, é fundamental fazer intervir a justiça, cercando as vítimas de medidas protetivas que restrinjam a atuação dos agressores.

A violência contra as mulheres inicia-se na falsidade e na psicopatia que sustentam os agressores. Estas falsidades precisam ser desvendadas para permitir que as vítimas possam encontrar as suas referências e sair do domínio dos seus agressores, compreendendo que a culpa não é delas, pois foram eleita justamente por uma qualidade que elas tem e que eles querem para si, vampirizando-as. O que move os perversos na direção das vítimas é a inveja: os perversos invejam, acima de tudo, a vida que as vítimas tem. E buscam apropriar-se das vidas que invejam, pois a vitalidade e a vontade de viver das vítimas aponta-lhes suas próprias fraquezas e faltas.

Alerta-nos Hirigoyen: “Não se contentando jamais, os perversos narcisistas estão sempre na posição de vítimas (…)   e por ocasião das separações os perversos posam de vítimas abandonadas, o que lhes dá melhor papel e lhes permite seduzir um outro parceiro, consolador.” E segue o ciclo de seduções…

Acrescento que os perversos facilmente posam de vítimas para seduzirem outras pessoas que necessitam para perseguirem ou prejudicarem as suas vítimas , entre elas advogados/as, psicólogos/as, amigos /as, pessoas conhecidas suas e da vítima, etc…

Coloco-me ao do lado das mulheres que diariamente sofrem violências físicas e psicológicas em relações perversas. É fundamental que possamos enquanto sociedade nomear estas violências para o que de fato são: um verdadeiro assassinato psíquico que ceifa a vida de incontáveis mulheres, diariamente.

Poucas mulheres sobrevivem psiquicamente ao relacionamento com um perverso. As que sobrevivem, precisam se fortalecer e denunciar, pois cabe a justiça acolher e entender estas mulheres e suas sofridas vivências, dando a elas medidas de proteção, barrando juridicamente aos perversos.

 

Imagem disponível em:  http://3.bp.blogspot.com/_921nhmHEG1s/TEWtSyWQ2GI/AAAAAAAAA9c/38ILTiIaPIE/s1600/Mulher+na+teia.jpg

Homofobia: ódio que mata

Postado em 20.06.2016  
Disponível em: http://www.ligacaoteen.com.br/wp-content/uploads/2015/03/homofobia-mata.jpg

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Homofobia é definida genericamente como o ódio e violência contra membros da população LGBT e toda violência contra gays, lésbicas, travestis e transexuais é fomentada por esta doença. Questiono: por que tanto ódio em relação a estas sexualidades?

De acordo com dados do Relatório 2015 — Assassinatos de LGBT no Brasil, 318 pessoas da comunidade LGBT foram assassinadas por homofobia. (https://grupogaydabahia.com.br/2016/01/28/assassinato-de-lgbt-no-brasil-relatorio-2015/ ) Ou seja, nosso país atualmente mata em um ano seis vezes o número de gays que foram mortos em 12/06/2016 na boate em Orlando.

Sabe-se que 80 a 90% dos LGBTs que são agredidos ou que sofrem homofobia não denunciam, por medo das represálias.

Muitas vezes escutamos que a intolerância está vinculada ao fato de que alguns LGBTs demonstram mais a sexualidade com gestos, trejeitos ou atitudes, porém, sabemos que o ódio homofóbico também é destinado aos demais, os ditos “comportadinhos”. O sociólogo francês Eribon compara a homofobia onipresente na sociedade como um “constante assédio moral na vida de todos os gays independentemente de serem eles mais ou nada delicados.”

Este autor afirma : “as vezes, não é preciso gesto algum: a aparência ou as roupas bastam para desencadear o ódio. Tanto contra os gays mais assumidos quanto contra aqueles que o são menos ou não o são nem um pouco, contra os que “se exibem” como contra os que dão prova de “discrição”, a possibilidade de ser objeto da agressão verbal ou física permanece onipresente”. (ERIBON, Didier. Reflexões sobre a questão gay. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2008. 445p.)

Podem influenciar na formação de uma pessoa homofóbica: baixos níveis de educação, conservadorismo exagerado, dogmatismo religioso e os suportes tradicionais de gênero que ensinam as feminilidades e as masculinidades e são repetidos acriticamente e  reforçados no imaginário social pelos discursos, piadas e  jargões, etc. 

 A discriminação homofóbica infelizmente acaba generalizando a forma como os LGBTs são vistos em todos os setores e segmentos de sua vida, ou seja, sua moral e atributos pessoais passam a ser considerados em função da sua sexualidade.

Equivocadamente, a partir da premissa da sexualidade, passamos a analisar e julgar os seres humanos e a generalizar os conceitos de “bons” ou “maus”. Esta lógica binária impõe posicionamentos rígidos, como se todos os heterossexuais fossem bons e os homossexuais maus, ou vice-versa.

Assim como existem heterossexuais bons e alguns que fazem mal ao mundo, também existem homossexuais bons e outros que fazem mal ao mundo. Em ambos os casos, as atitudes e escolhas pessoais não são oriundas da sexualidade, mas do caráter e da constituição psíquica da pessoa.

Conheço heterossexuais e homossexuais cruéis e capazes de atrocidades terríveis contra outros seres humanos, sem culpa alguma; e heterossexuais e homossexuais bondosos e genuinamente amorosos. Porém, não posso afirmar que por conhecer alguém bom ou mau, que TODOS sejam bons ou maus. Sempre que generalizamos, nos equivocamos, pois a sexualidade não define o caráter de uma pessoa, mas sim o comportamento, as atitudes desta pessoa em relação aos outros e ao mundo que lhe cerca.

Neste contexto, quem mata alguém por conta da sexualidade, mata movido por um ódio patológico, que é dirigido preferencialmente aos LGBTs. Em grande medida, desconhecemos o sofrimento que os estigmas sociais geram nestas pessoas e ignoramos as mortes que ocorrem; 50% de todos os casos de assassinatos de pessoas trans no mundo ocorrem no Brasil, segundo dados publicados pela transrespect-transphobia.org

A homofobia é uma doença que precisa ser tratada, pois gera sofrimentos e promove estes bárbaros assassinatos.

 

 

 

A oportunidade revela o estuprador, o silêncio nos torna cúmplices!

Postado em 03.06.2016  
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Indignada, faço coro as inúmeras vozes que ecoam problematizando a barbárie da qual foi vitima a adolescente de 16 anos do Rio de Janeiro. Barbárie esta que a vitimizou incontáveis vezes. Ela foi vítima de seus algozes, sendo estuprada e segue sendo vítima da sociedade. Horrorizada, li comentários de pessoas que se dizem influentes e inteligentes, mas que são absurdamente sexistas e acabam com seus comentários revitimizando a adolescente, estigmatizando-a.

Como se não bastasse a violência sexual, física e psicológica sofrida, ela segue sendo vitima destas pessoas pseudo defensoras da moral e dos bons costumes. Por conta deste julgamento, a culpada do estupro acaba invariavelmente sendo a mulher, quer seja porque ela não se veste adequadamente, quer seja porque anteriormente, em algum momento, tenha feito sexo com mais parceiros e/ou parceiras, quer seja porque foi mãe precocemente ou porque seja ou foi usuária de entorpecentes ou porque estava alcoolizada…

Discordo veementemente. Independente de qualquer situação, sempre que não houver consentimento da mulher no ato sexual, é estupro, é crime. Este ato não ocorre de forma inconsequente ou mal pensada, pelo oposto: ocorre porque a oportunidade revela o estuprador, pois este já habitava o interior do homem que faz o ato. A circunstância apenas favorece a revelação do estuprador. O estupro não é um ato sexual, é um ataque, um ato de poder, de vencer para conseguir um objeto e a mulher é objetificada neste ato.

Problematizo esta questão, pois aceitamos que a cultura do estupro se perpetue ao não nos incomodarmos com o comportamento de homens que assediam com palavras obscenas meninas, jovens e mulheres presencialmente e nas redes sociais. Paradoxalmente, quando o estuprador se revela, ficamos horrorizados. Em uma sociedade que permite, aceita e normaliza a violência psicológica, a violência física, a violência financeira, o desrespeito pelos direitos das mulheres, também ocorrem estupros.

De acordo com o 9 Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado em 2014, a cada 11 minutos um caso de estupro é notificado no Brasil e 70% dos casos são cometidos por parentes, namorados e/ou amigos, conhecidos da vítima. Ainda, estima-se que em cada 10 casos de estupro, 09 não são denunciados, pois a vergonha, o medo e a crítica social acabam por revitimizar a vítima.

Em uma pesquisa que desenvolvo sobre a gravidez na adolescência, relatam que um adolescente fez uma festa em sua residência no final de semana e que a sua mãe, observando o entra e sai dos garotos participantes em um dos quartos da casa, dirige-se até o local e abre a porta. A cena que vê a estarrece: uma menina jaz bêbada e nua sobre a cama e os adolescentes entram e saem do quarto após estuprarem ela (sexo sem consentimento é estupro!). Intervém, acabando com a situação. Esta mãe ficou observando a festa, pois preocupava-se em cuidar do que ocorria, diferente de muitos pais que inclusive saem de casa sem saber o que acontece, com a desculpa de darem privacidade para os/as adolescentes. Preocupada, relata o fato na escola, pedindo ajuda para saber como deveria proceder. Constato que esta prática é recorrentemente empregada por adolescentes do sexo masculino, que inclusive compram comprimidos entorpecentes em lojas de sex shop para darem nestas festas para as garotas, com a intenção acima relatada.

Outra explanação: uma jovem secundarista, vai a uma festa com colegas da escola e ingere mais álcool do que seu corpo suporta. Embriagada, é assistida por um colega de escola, que a leva para um carro, onde a beija e começa a fazer carícias em seu corpo. Ela tenta empurra-lo, mas sente que está sendo penetrada. Desacordada, é entregue na casa de uma amiga onde passaria a noite, e esta nada percebe. No dia seguinte, a adolescente vai para sua casa e resolve contar aos pais o que ocorreu e é veementemente repreendida, censurada e culpada, pois ela bebeu e por isto não soube se cuidar: a culpa é sua! A família opta pelo silêncio para não “borrarem” seu nome na sociedade. Muito tempo depois, quando consegue contar para as colegas mais íntimas sobre o ocorrido, descobre que este fato se repetiu com outras colegas desta mesma escola e que estas também se calaram pois tinham vergonha de contar.

Questiono: temos uma cultura do estupro? Observamos como os adolescentes do sexo masculino vivenciam sua sexualidade e os acompanhamos nesta etapa de suas vidas? Ou entendemos que as adolescentes é que “precisam se cuidar”, pois são elas que engravidam depois do ato sexual, carregando na barriga que cresce a marca do estigma de serem “impuras”, o que as estigmatiza?
O pacto do silêncio favorece a cultura do estupro. A vergonha é um terreno fértil para o pacto do silêncio, favorece a continuidade desta cultura e nosso silêncio, nos torna cúmplices. Um estuprador sabe muito bem disto, conta com este silêncio e com o medo da vítima para continuar a fazer seus ataques e atos ilegais. As mulheres que foram abusadas devem buscar o caminho da justiça e contar com o auxílio de uma rede de proteção, para se fortalecerem. A melhor maneira de se recuperar do abuso ou da violência sexual é não se calar e falar sobre o ocorrido. Este blog tem uma área para depoimentos, pois falar ou narrar o fato ajuda a curar e empoderar a vítima, para que esta possa buscar auxílio na justiça.

Estes abusadores são sociopatas e precisam de limites impostos pela Lei, pois nada temem por acreditarem que eles são a Lei e que podem fazer tudo que quizerem sobre o outro, por isto, praticam -sem nenhuma culpa ou remorsos- atos de violência psicológica, violência física, violência financeira e violência sexual. Para eles, a culpa é sempre do outro e se vitimizam, choram para convencer a todos da inocência (cabe aqui a expressão lágrimas de crocodilos), procuram seduzir e convencer pessoas que possam auxilia-los a culpar quem na verdade é a vítima. Estes sociopatas precisam ser barrados para não fazerem novas vítimas, não podemos nos calar frente este chamamento, precisamos colocar firmemente limites sociais e jurídicos para estas barbáries. A oportunidade revela o homem que bate, que lesa, que violenta e que estupra.

Precisamos falar sobre isto, pois o silêncio nos torna cúmplices.

Convido-os/as a assistirem o pequeno vídeo abaixo intitulado “A culpa é sua”, onde satirizam a a cultura de criminalização da vítima.

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