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Homofobia: ódio que mata

Postado em 20.06.2016  
Disponível em: http://www.ligacaoteen.com.br/wp-content/uploads/2015/03/homofobia-mata.jpg

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Homofobia é definida genericamente como o ódio e violência contra membros da população LGBT e toda violência contra gays, lésbicas, travestis e transexuais é fomentada por esta doença. Questiono: por que tanto ódio em relação a estas sexualidades?

De acordo com dados do Relatório 2015 — Assassinatos de LGBT no Brasil, 318 pessoas da comunidade LGBT foram assassinadas por homofobia. (https://grupogaydabahia.com.br/2016/01/28/assassinato-de-lgbt-no-brasil-relatorio-2015/ ) Ou seja, nosso país atualmente mata em um ano seis vezes o número de gays que foram mortos em 12/06/2016 na boate em Orlando.

Sabe-se que 80 a 90% dos LGBTs que são agredidos ou que sofrem homofobia não denunciam, por medo das represálias.

Muitas vezes escutamos que a intolerância está vinculada ao fato de que alguns LGBTs demonstram mais a sexualidade com gestos, trejeitos ou atitudes, porém, sabemos que o ódio homofóbico também é destinado aos demais, os ditos “comportadinhos”. O sociólogo francês Eribon compara a homofobia onipresente na sociedade como um “constante assédio moral na vida de todos os gays independentemente de serem eles mais ou nada delicados.”

Este autor afirma : “as vezes, não é preciso gesto algum: a aparência ou as roupas bastam para desencadear o ódio. Tanto contra os gays mais assumidos quanto contra aqueles que o são menos ou não o são nem um pouco, contra os que “se exibem” como contra os que dão prova de “discrição”, a possibilidade de ser objeto da agressão verbal ou física permanece onipresente”. (ERIBON, Didier. Reflexões sobre a questão gay. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2008. 445p.)

Podem influenciar na formação de uma pessoa homofóbica: baixos níveis de educação, conservadorismo exagerado, dogmatismo religioso e os suportes tradicionais de gênero que ensinam as feminilidades e as masculinidades e são repetidos acriticamente e  reforçados no imaginário social pelos discursos, piadas e  jargões, etc. 

 A discriminação homofóbica infelizmente acaba generalizando a forma como os LGBTs são vistos em todos os setores e segmentos de sua vida, ou seja, sua moral e atributos pessoais passam a ser considerados em função da sua sexualidade.

Equivocadamente, a partir da premissa da sexualidade, passamos a analisar e julgar os seres humanos e a generalizar os conceitos de “bons” ou “maus”. Esta lógica binária impõe posicionamentos rígidos, como se todos os heterossexuais fossem bons e os homossexuais maus, ou vice-versa.

Assim como existem heterossexuais bons e alguns que fazem mal ao mundo, também existem homossexuais bons e outros que fazem mal ao mundo. Em ambos os casos, as atitudes e escolhas pessoais não são oriundas da sexualidade, mas do caráter e da constituição psíquica da pessoa.

Conheço heterossexuais e homossexuais cruéis e capazes de atrocidades terríveis contra outros seres humanos, sem culpa alguma; e heterossexuais e homossexuais bondosos e genuinamente amorosos. Porém, não posso afirmar que por conhecer alguém bom ou mau, que TODOS sejam bons ou maus. Sempre que generalizamos, nos equivocamos, pois a sexualidade não define o caráter de uma pessoa, mas sim o comportamento, as atitudes desta pessoa em relação aos outros e ao mundo que lhe cerca.

Neste contexto, quem mata alguém por conta da sexualidade, mata movido por um ódio patológico, que é dirigido preferencialmente aos LGBTs. Em grande medida, desconhecemos o sofrimento que os estigmas sociais geram nestas pessoas e ignoramos as mortes que ocorrem; 50% de todos os casos de assassinatos de pessoas trans no mundo ocorrem no Brasil, segundo dados publicados pela transrespect-transphobia.org

A homofobia é uma doença que precisa ser tratada, pois gera sofrimentos e promove estes bárbaros assassinatos.