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Posts de outubro de 2016

Dormindo com o/a inimigo/a: a vampirização

Postado em 03.10.2016  

 

Disponível em: lamenteesmaravillosa.com

Cotidianamente escutamos histórias de pessoas que sofrem em um relacionamento amoroso  por   não receberem afetivamente o que necessitam para sentirem-se amadas e nutridas emocionalmente. Entretanto, mesmo tendo consciência destas carências, estas pessoas não conseguem romper esta ligação de subordinação e passam a investir ainda mais no/a parceiro/a, acreditando que dando mais possam modificar ao outro, sem perceberem que nestes relacionamentos ocorre um processo de vampirização.

É difícil e doloroso o processo de dar-se conta da alienação vivida em uma relação amorosa onde um dos cônjuges sofreu este processo porque para o/a vampiro/a,  o/a parceira/o  não existe como pessoa, apenas como uma posse, algo para ser possuído. Saliento que esta psicopatia  não está vinculada a sexualidade da pessoa, existem vampiros em todos os gêneros: homens, mulheres e LGBTs.

Inúmeras vezes, quem sofre o processo de vampirização segue investindo na tentativa de ser compreendido/a e insiste em ter mais uma “conversa esclarecedora”, sem perceber que isto não alterará o rumo do caso. A vítima não compreende que não existe uma relacionamento, o que está estabelecido neste modelo é uma apropriação , por isto, não existem trocas. Uma relação é uma via de duplo sentido, existe vínculo, correspondência; a apropriação que ocorre na vampirização é de mão única, pois o/a vampiro/a só recebe e nada retribuí pois jamais percebe as necessidades emocionais do/a outro/a.

Os /as vampiros/as se alimentam da energia que vem de quem seduzem, pois precisam preencher o vazio psíquico que sentem, que origina-se em razões ligadas a sua história nas primeiras fases da vida.
Enfrentar este vazio gera sofrimento, faz com que tenhamos que assumir nossa incompletude, quebra nossa onipotência narcísica. Pessoas que enfrentam este vazio possuem dentro de si capacidades como o acolhimento e a empatia. Já os sociopatas não defrontam-se com seu vazio por não possuírem estas capacidades, por isso, necessitam vampirizar: para preencher-se.

A inveja normal que todos sentimos faz com que admiremos as pessoas que tem algo que queremos e isto nos move a evoluir para ter o que invejamos. Porém os sociopatas invejam de forma patológica, sobretudo a vida que vêem em quem elejem para vampirizar. Aproximam-se e seduzem esta pessoa para sugar e possuir o que ela tem e jamais se preocupam com o sofrimento que geram, pois não possuem culpa e habitualmente argumentam com exímia convicção que são vítimas, revertendo o quadro e produzindo culpa em quem vampirizam.

Quando invejam a vida social, vampiros/as seduzem alguém que consiga os introduzir em um meio social invejado, como o meio intelectual, artístico ou de alguma camada que considerem como sendo a alta sociedade.Também podem invejar a alegria, dons musicais ou literários, sensibilidade, capacidade de comunicação, empatia, solidariedade, capacidade cognitiva, etc. A pessoa eleita acaba facilitando o acesso do/a vampiro/a ao atributo invejado, que incorpora-os. As coisas acontecem de tal modo que a vítima vai se enfraquecendo, tendo sua auto estima destruída, de tal modo que todas as suas qualidades passam a ser percebidas como pertencentes ao vampiro/a.

Para escaparem da dor psíquica, os/as vampiros/as defenderem-se usando o mecanismo de defesa da projeção, jogando seus erros na pessoa que capturam e inocentam-se; jamais são culpados, creditando todos os seus insucessos e as suas dificuldades ao cônjuge. Também defendem-se com uma negação da realidade. Negam permanentemente seu funcionamento, mesmo quando a realidade prova o contrário, pois desta forma, o sofrimento é excluído.

Sendo incapazes de amar, destroem a pessoa eleita, sentindo-se assim superiores; sentem-se felizes com o sofrimento e a destruição moral, financeira ou emocional do outro, pois para afirmar-se, precisam destruir. Quando a vítima reage e tenta opor-se, a maldade que até então estava disfarçada, dá lugar a uma hostilidade declarada, iniciando-se a fase de destruição moral, também chamada de psicoterror.
Nesta fase, todos os meios são utilizados pelo/a vampiro/a para destruir a pessoa que elegeram, inclusive a violência física, objetivando levar esta a um aniquilamento psíquico ou ao suicídio.

Agredir aos outros é a maneira do/a vampiro/a  evitar a dor e a depressão, por isso, constantemente provocam ao outro para a manter a ausência da paz.  Que a dor e a depressão sejam suportadas pela pessoa que elegeram para vampirizar!

Tentar convencer um/a vampiro/a que cometeu um erro é insistir na relação patológica, pois este/a negará que errou até a morte. Jamais espere mudar ou receber algo dele/a, acredite, ele/a não tem nada para dar pois, como diz Zé Ramalho em “A sagrada escritura dos violeiros”:

” Quem tem o mel, dá o mel.
Quem tem o fel, dá o fel.
Quem nada tem, nada dá”